quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tropa de Elite




Confesso que ao ver a marcha do MST, em pleno centro do Rio de Janeiro, pensei no filme Tropa de Elite. Não aplaudi, como tem acontecido com os exercícios matinais do BOPE na cidade. Foi uma humilde reflexão, muito estranha por sinal. Ora, por que o problema do campo deveria ter visibilidade na cidade, se no discurso dos problemas da cidade a realidade rural do país nem é mencionada?

O tumor urbano é a classe média, a polícia e o marginal. Acrescente aí ONG's corrúptas e filosofias de esquerda. Agora, favela e reforma agrária, xiii... deve ser conexão ultrapassada. Primeiro, o êxodo rural já não é mais o mesmo. E que diabos deve ter em comum o aumento do preço do leite, a gigantesca produção de papel para exportação, a privatização da Vale, o boom do etanol... com o tráfico de drogas, com a violência urbana?

Essas ainda são questões válidas? Ou deixaram de fazer sentido com a anistia concedida pelos militares?

Sobre o filme e a anistia , João Paulo Cuenca do Globo, tem um bom texto. E, como o filme, polêmico:

"o filme é de um reacionarismo que talvez não tenha paralelos na história do cinema nacional. O texto é claro como pó de mármore: o tráfico de drogas é um câncer, a elite branca é hipócrita, a PM é corrupta, e o BOPE é incorruptível. Só o BOPE, através de seus imaculados princípios, nos salvará das trevas. E para isso, tem certas licenças nada poéticas – a tortura é a principal delas. Eles, que são puros, fazem o serviço sujo que nós, hipócritas de classe média, não encaramos. A lógica do discurso policial que “Tropa de elite” reproduz é cristalina."

http://oglobo.globo.com/blogs/cuenca/#74834

OBS.: A imagem desse basculante é de Latuff , publicada no jornal dos docentes da UFRJ. Está reproduzida aqui para fins não comerciais, mas de mera divulgação e reflexão.

Um comentário:

Bernardo Veiga disse...

fala Felipe. Não sei se tenho capacidade pra julgar essas coisas, acho que eh mt prático pra mim e vc sabe dos meus problemas com essas coisas. Mas gostei do seu texto. Não vi o filme e sinceramente não to mt com vontade. mas um dia eu devo ver. Pelo que eu soube o filme parece bom, bem clássico-aristotélico no sentido de mocinho e bandido, de pessoas q não se corrompem etc. o problema, acho eu, é a tortura, que não precisa ter comentários. Mas não a tortura como realidade do filme, mas como coisa real, pq do filme por filme ateh filme de terror seria proibido. Mas eh isso, se de uma forma o filme passa coisas que de forma mais complexa acontece, não acho ruim. E também acho que não podemos cobrar das borbolhetas que elas tampém o Sol para diminuir a temperatuda da Terra, mas tão só fazer o que convém às borbolhetas, que eh borbolhetar.

abraço.